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Florença

em 12/05/20


Celebra-se hoje o Dia Internacional do Enfermeiro, numa data que remete para o nascimento de Florence Nightingale, figura ímpar da Enfermagem e Saúde Pública britânica. No Reino Unido, aliás, Florence é um nome em alta, ocupando a 15.ª posição do ranking de Inglaterra e Gales em 2019. 
Em Portugal, talvez estejamos mais habituados às variantes Florência e até mesmo Florentina, mas Florença chegou a usar-se na época medieval e pergunto-me se teríamos coragem para o resgatar. Façamos lá as comparações habituais: pode ser considerado topónimo, mas isso não nos afastou de Santiago. E se amamos Lourenço, será que simpatizaríamos com o som de Lourença e, por aproximação, de Florença - que nem se afasta assim tanto de Constança? Além disso, Florença tem aquele en, que está presente em tantos nomes masculinos e femininos do nosso top 50... 
O que acham de Florença? OK ou KO? Parece-vos mais ou menos usável que Flora, que em 2018 foi escolhido para dez meninas, ou até preferem Florence, que pode ser registado por cá? E, já agora, há algum topónimo que vos agrade como nome próprio? 

Um muito obrigada a todos os Enfermeiros, que têm sido vitais nestes tempos caóticos! 

Cristóvão

em 15/05/18


No início do mês, alguém questionou a minha opinião sobre o nome Cristóvão, nos Pedidos & Sugestões. À partida, considero-o um nome absolutamente normal, porque convivi com uma pessoa da minha idade que se chamava Cristóvão e isso influencia, como é evidente, a forma como o encaro. Às vezes, até lhe chamavam Cris, o que ainda o normalizava mais, aproximando-o um pouco dos nomes usados nos anos 80. Além disso, Cristóvão é um apelido comum entre a população portuguesa, o que faz com que se ouça com bastante frequência e é indissociável do mítico Cristóvão Colombo, tantas e tantas vezes mencionado ao longo das nossas vidas. Está na lista dos nomes medievais portugueses, que é uma das minhas categorias favoritas. E apesar de remeter visivelmente para Cristo [significa "o que leva Cristo"], isso não me incomoda, até porque gosto de Cristiano... Portanto, não é, de maneira nenhuma, um nome que eu rejeite. Mas também não integra o meu lote de nomes preferidos e, dentro do estilo, inclino-me mais para Estêvão. E quanto à sua usabilidade, creio que está no mesmo patamar de Jerónimo, que é um dos meus favoritos: não é um mau nome, não é desconhecido, mas acho que está um pouco distante dos nomes desta geração. Talvez em demasia! 

Pelaio
- Decifrando a lista do IRN -

em 08/02/17


Se dedicarmos algum tempo a leitura de textos relativos ao período medieval português, é quase garantido que nos vamos cruzar com o nome Paio, que está na origem do patronímico Pais. Também está relacionado com Sampaio, através da figura de São Paio que, de acordo com José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, "nos textos em latim bárbaro, aparece com frequência Sancto Pelágio". Paio será, então, a forma popular de Pelágio, com origem em Pelagius, que significa do alto mar ou, por analogia, marinho e marinheiro. E é assim que, segundo o autor, chegamos a Pelaio, um "intermédio" entre o português Paio e Pelágio. 

E falando em Pelágio... Tiramos-lhe uma letrinha e ficamos com plágio. E que coisa feia é pegar no trabalho alheio e apresentá-lo na íntegra, orgulhosamente, como sendo nosso! Quando criei este blog, não inventei a roda e é clarinho como água que o tema não se esgota no Nomes e mais Nomes. Mas seis anos depois, sei que dei ao meu blog um cunho inconfundível. Não seria mais enriquecedor trilhar o próprio caminho, ao invés de se limitar a ser um eco do que aqui se faz? Mais digno era, com toda a certeza, já que pegar deliberadamente nos meus conteúdos e reproduzi-los é apenas fácil. E muito vergonhoso.  

Guterre

em 07/10/16


Ontem foi um grande dia para António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, agora aclamado como futuro secretário-geral da ONU. O nome andou nas bocas do mundo e, num zapping pelos canais noticiosos internacionais, percebi que toda a gente conseguia pronunciar Guterres com bastante eficácia. Aproveitando o momento, recordo o post que escrevi no dia 20 de Maio de 2013, a propósito de Guterre:

O apelido Guterres é um patronímico de Guterre, um nome próprio praticamente desconhecido nos dias que correm mas que, segundo José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, era "nome outrora com muito uso", sendo fácil de encontrar na Península Ibérica, naquele período em que também se usava Mendo, Ximena, Sancho e Iria. É possível que Guterre esteja relacionado com Guntero que, por sua vez, deriva de Gunther, situando-se assim o seu significado em torno de "guerreiro". Certo, certo, é que Guterre deu origem ao apelido Guterres e ao correspondente espanhol Gutiérrez. Não sei se se lembrarão mas, há uns anos, jogava no Real Madrid um jogador com este apelido e que era conhecido como Guti. Fofo!
Guterre seria - até para mim - uma escolha muitíssimo surpreendente para um bebé nascido em 2013 - e atualizando o post, em 2016 também! Neste caso, nem me atrevo a sugeri-lo como segundo nome porque provavelmente seria encarado como apelido. Não acho que seja um mau nome e o contexto mostra-me que não anda nada longe de algumas escolhas consideradas contemporâneas, mas realisticamente, parece-me pouco usável. 

Tristana & Tristão

em 15/06/15


Um dos meus nomes medievais preferidos é Tristão mas sei bem que as reacções a este nome são maioritariamente más, sobretudo pela associação a "muito triste". Originalmente, este nem sequer era o significado do nome, que tem origem em Drustan e, por isso, significaria "tumulto". Contudo, a grafia foi-se alterando por assimilação à palavra latina Tristis e, como tal, a associação é mais do que inevitável. Na verdade, o significado até poderia ser "homem mais feliz do mundo" e nem isso nos  afastaria do conceito de  tristeza sempre que ouvíssemos ou lêssemos Tristão, certo?

Mas adiante, que hoje o nome do dia é outro e a pergunta que se impõe é a seguinte: se pelo seu carácter literal, Tristão é indissociável do sentimento de inquietação, o que pensam de Tristana? O nome poderá soar familiar a quem conhece a filha do escritor Miguel Esteves Cardoso, que até costuma aparecer nas revistas cor-de-rosa e, apesar de não ser nada comum em Portugal, é relativamente conhecido em Espanha, graças ao romance Tristana de Benito Pérez Galdós, cuja adaptação ao cinema foi candidata ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1970. 
Muitas vezes, quando menciono Tristão, respondem-me que preferem a variante Tristan e, nesse caso, será que Tristana se torna mais usável? Na minha opinião, é um nome bastante interessante e apesar de não ter certezas quanto à sua aprovação, não hesitaria em recomendá-lo a quem procura um nome diferente mas que não fuja em demasia à estrutura normal dos nomes portugueses. 
Se eu vos apresentasse Tristana como alternativa a Caetana, achavam que tinha perdido o juízo?